VidaCultura • 29/12/2017

Netflix do mês: The Good Place

The Good Place estava me seduzindo no Netflix há bastante tempo, pela sinopse e pela imagem no card do Netflix, com a Kristen Bell. Eu gosto bastante dela, acho ela uma atriz muito expressiva e que combina muito bem com comédias em geral. Pra quem curtia Veronica Mars, essa é a moça.

The Good Place é a história de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), uma mulher que não era exatamente uma ótima pessoa e, depois de morrer, vai parar do “paraíso” por engano. Ao chegar lá e ver como o lugar é definitivamente melhor que o “inferno”, Eleanor decide que vai fazer de tudo pra ficar no good place. Pra isso, ela pede ajuda de Chidi (William Jackson Harper) que aparentemente era a alma gêmea da verdadeira Eleanor que deveria estar ali – Chidi era professor de ética e moral quando estava vivo.

Enquanto ela aprende o que é ser boa, como ser uma pessoa melhor e a teoria e prática de ética e moral, ela tem que fingir que é alguém que presta com os outros residentes que todos parecem ser perfeitos. E aí entram os outros coadjuvantes: Tahani (Jameela Jamil) e Jianyu (Manny Jacinto), uma filantropa gatíssima e um monge budista em voto de silêncio.

Poster principal de The Good Place.

O arquiteto Michael e Eleanor.

Isso é o que você sabe no primeiro episódio, mas é claro que nem tudo é o que parece. A graça do seriado é fazer piada com questões éticas e filosofia, que deveriam ser chatas, mas acabam aplicadas em situações reais vividas (ou morridas, já que todos já foram dessa pra melhor hahaha) pelos personagens. Um dos meus episódios favoritos é quando eles debatem (na prática) o dilema do bonde, ou trem (veja aqui o que é o dilema).

Eleanor, Chidi e Michael no dilema do bonde desgovernado.

Eleanor, Chidi e Michael no dilema do bonde desgovernado.

O “good place” é como se fosse o paraíso, mas como o seriado não está interessado em zoar com uma religião específica, fica subentendido que é um lugar meio mix de todas e ao mesmo tempo nada a ver com nada. Lá, por exemplo, tem um “arquiteto da vizinhança” encarregado de criar e programar o local de acordo com seus residentes – no caso de Eleanor, ele é Michael (Ted Danson maravilhoso). Michael, nesta vizinhança, enfiou uma loja de frozen iogurte a cada esquina pois os residentes parecem gostar disso. Lá também ninguém consegue xingar já que a maioria dos residentes parece desapreciar palavras feias.

Kristen Bell é genial na pele de Eleanor. Chidi é aquele cara que você tem dó o tempo todo de tão bonzinho que ele é. Tahani é divertidíssima. Mas pra mim a melhor personagem é, sem sombra de dúvidas, Janet (D’Arcy Carden) – um tipo de sistema operacional do paraíso que sabe tudo e pode fazer ou criar qualquer coisa para agradar os residentes.

Eleanor, Janet e Jianyu.

Eleanor, Janet e Jianyu.

O humor do seriado não é aquela coisa tradicional e óbvia. Eles brincam com referências da cultura pop ao mesmo tempo que trabalham a zoeira com a filosofia.

Os flashbacks das vidas de cada personagem tomam um tom cômico até levemente absurdo em alguns momentos – como ao mostrar como Eleanor morreu, ao ser atropelada por um caminhão de propaganda de pílulas para disfunção erétil quando foi empurrada para a rua por uma fileira de carrinhos de supermercado ao se abaixar pra pegar sua garrafa de “Mistura de Margarita para Mulheres Solitárias”. É esse tipo de nonsense comedy que o seriado trabalha – algo bem próximo de Community, The Office e outros.

Mesmo sendo uma comédia, os episódios sempre trazem um debate ético interessante e mostram que no fim das contas somos humanos, e a teoria nem sempre se aplica perfeitamente à prática. Eleanor tenta desesperadamente ser uma boa pessoa praticando atos bons, mas depois percebe que só está fazendo isso para tirar algo para si mesma, que é não ser despachada pro inferno – o que fatalmente estraga toda a ética envolvida nas ações que ela tem. É esse tipo de discussão que o seriado é capaz de trazer em meio às piadas – não acompanhe The Bachelor se quiser manter alta sua pontuação para ir para o Good Place.

The Good Place é aquele sopro de comédia que eu estava sentindo falta desde que perdi minha querida Community. É meu estilo de humor: inteligente, criativo, desdenhoso e mesmo assim leve. Cada episódio tem breves 22 minutinhos, bem rápidos de digerir e ainda te deixando com vontade de ver mais.

Tem duas temporadas no Netflix, sendo que a primeira está completinha para seu deleite.

 

Netflix do mes:
  • The Good Place
    1a e 2a temporadas, 13 episódios de 22 minutos cada
  • Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) está morta. Acontece que, após sua partida, ela foi enviada ao “Good Place – ou “Bom Lugar” -, um lugar de eterna felicidade destinado às pessoas que fizeram o bem durante suas vidas. Lá, todos são bons e encontram as suas almas gêmeas, com quem passarão o resto da eternidade. Mas tudo isso não passa de um acidente: Eleanor não merece estar lá.

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