VidaPensamentos • 18/07/2017

#sobrevida – Priscila, cativante e vencedora

Uma tarde de sábado tomando um café e encontramos Priscila. Ela vinha nos oferecer uma das revistas Traços – um dos projetos bacanudos que rola em Brasília: a cada revista de R$ 5 vendida, R$ 4 vão para o porta voz da cultura, no caso o vendedor, e R$ 1 ele usa para comprar outra revista e continuar o trabalho. A parte “bacana” é que o porta voz da cultura é um morador de rua e o projeto foi criado para ajudar a tirá-los dessa condição oferecendo um meio de salário de forma honesta.

Sempre que um promotor da Traços passa por mim em um bar ou restaurante da cidade, eu me proponho a ajudar comprando uma que eu ainda não tenho. Dessa vez, eu tinha todas. Mas Priscila foi cativante. Priscila tinha algo a mais pra mostrar ali.
Ela chegou já com a edição nº 11 aberta, fazendo o tradicional discurso para apresentar a intenção do projeto para quem não conhece. Eu respondi que já conhecia. Mas ela foi incisiva.

Alguém segura uma revista na frente do rosto, página aberta na matéria da Priscila.

“Aqui tem a minha história”, e apontou para a página que trazia aberta. Era ela, Priscila, sorridente, de braços abertos nas folhas esverdeadas da reportagem. “Eu saí das ruas”, ela disse.
“Trabalhei, fiz o que pude, e agora vou cursar a UnB”, a Universidade de Brasília, uma das melhores do país. Priscila chamou minha atenção aí. Sr. Namorado já sacou a carteira e disse que queria uma edição com a história dela. “Vou buscar e vou autografar pro senhor”. Ai Priscila, aí você me ganhou de vez. Você é maravilhosa demais com essa auto estima, mulher!
Perguntei qual curso ela fazia na UnB. “Fiz o Vestibular”. Ah então ela ainda estava esperando o resultado! “Quero Serviço Social!” Que ótimo, é um bom curso, Priscila. Foi bem na prova?
“Fiz o que pude, né. A gente sempre faz assim. Não corrigi minha prova não. Não sou dessas. Fui lá, fiz a redação, peguei aula pra escrever aquela redação. Estudei. Agora tem que esperar o resultado. Não sou dessas de ficar corrigindo prova. Se sair, saiu. Se o nome aparecer lá, apareceu. Se não apareceu, não apareceu. É isso. Tenta de novo.”

A gente sempre tem que tentar de novo.

Toma esse tapa na cara da Priscila.

Alguém segura a capa da revista com a assinatura de Priscila.
Priscila Limoeira, diva, sobrevivente, renovada e bem resolvida autografou a capa da Traços nº11, que conta a história de superação dela mesma, e nos entregou. “Muito obrigada, viu, e tenham uma boa tarde!” e saiu pra continuar a vender – vender revistas, vender carisma, vender cápsulas de reflexões no dia a dia da gente que às vezes pensa que a vida é um lixo e tem vontade de desistir.

Tem que tentar de novo. Sempre.

ps. O resultado do Vestibular da UnB saiu ontem. Chequei o nome de Priscila. Ela não passou. Mas duvido que ela desista.

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  1. Juliana
    em 15 de agosto de 2017 - 16h55

    Demais Ju! Adorei sua percepção, seu ponto de vista neste simples acontecimento do seu dia! Obrigada por compartilhar! E, de verdade: sucesso para a Priscila!

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